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Poluição do rio Lima na Galiza já chegou ao Alto Minho, denunciam ambientalistas

Água contaminada pela atividade pecuária intensiva

"A poluição do Rio Lima, com substâncias cancerígenas, provenientes dos dejetos de porcos e de aves, desde a província galega de Ourense, já passou para o Minho, através da Barragem do Alto Lindoso, afetando Ponte da Barca, Arcos de Valdevez, Ponte de Lima e Viana do Castelo.

“No ano de 2008, tivemos o boom de cianobactérias, em As Conchas, enquanto no ano de 2013 foi em Lindoso o boom de contaminação, segundo dados oficiais da própria Confederação dos Rios Minho e Sil e este ano de novo a Albufeira de Lindoso, em Ponte da Barca, entre junho e agosto está com máximo de contaminação”, disse a O MINHO o presidente da Associação de Vizinhos do Povoado de As Conchas, Pablo Álvarez Veloso, em Lobeira, Ourense, na Galiza.

A Associação de Vizinhos do Povoado de As Conchas conseguiu a condenação definitiva, pela Justiça do Reino de Espanha, a que a Junta da Galiza e a Confederação dos Rios Minho e Sil acabem definitivamente com a poluição crónica, só que um ano depois o problema mantém-se.
Espanha é o maior produtor de carne de porco de toda a Europa e cerca de um terço das suas explorações suinícolas localizam-se na Comunidade Autónoma da Galiza, pelo que o Tribunal Supremo de Justiça, em Madrid, confirmou ter de haver tratamento adequado para os detritos.

A Client Earth, que apoia o processo dos moradores de As Conchas, com a Amigas de la Tierra (o braço espanhol da ONG Friends of the Earth), destacou “ser a primeira vez que um tribunal na Europa teve um caso sobre o impacto das explorações de pecuária intensiva nas fontes de água e que em consequência nos direitos humanos dos residentes lhes deu a mais inteira razão”.

A advogada Nieves Noval, da Client Earth, diz que “tanto a Constituição do Reino de Espanha, como a legislação europeia, não podiam ser mais claras, isto é, as autoridades públicas têm a obrigação legal de proteger as pessoas contra os danos e contra a exposição à poluição nociva”.

Ainda segundo a advogada Nieves Noval, “as autoridades estão agora a falhar com os cidadãos, apesar de verem em tempo real o impacto da pecuária industrial nesta área, continuando sempre a aprovar novas explorações, não tendo em conta que a poluição daí resultante põe em causa a saúde dos cidadãos, compromete a água, o ar que respiram e o solo em que cultivam a comida”.

Por isso, a Associação de Vizinhos do Povoado de As Conchas quer ver executadas as decisões dos tribunais espanhóis e este fim de semana reuniu-se com outras associações homólogas, em Monterroso, na província galega de Lugo, para trocar experiências e concertar uma estratégia.
O reconhecimento da justiça espanhola, dando razão à população de As Conchas, é um caso judicial que já fez jurisprudência no país vizinho e a vitória definitiva deste grupo levou a que associações ambientalistas espanholas e europeias preparem agora ações judiciais idênticas.

A Justiça do Reino de Espanha condenou definitivamente a Junta da Galiza e a Confederação dos Rios Minho e Sil a terminar com a poluição, já que existem mecanismos de impedir lançar as fezes dos porcos e das galinhas para o Rio Lima, conspurcando-se todo o leito, até Portugal.

“E tudo isto porque uma grande parte dos suinicultores de Xinzo de Limia preferem atirar todas as fezes e todos os detritos e resíduos dos porcos, assim como sucede com os muitos criadores de aves, que para não gastarem dinheiro, não cumprem as regras do produtor-poluidor, quando poderiam e deveriam evitar uma poluição de prejuízos incalculáveis”, dizem os ambientalistas.

Entretanto, todos os estudos e trabalhos de campo, com recolha de amostras de água, detetaram cianobactérias resistentes a antibióticos e uma substância extremamente tóxica conhecida como hepatotoxina, químico considerado tão perigoso que é mesmo classificado como um produto de guerra química”, segundo a Client Earth, uma organização beneficente de direito ambiental.

Desde Xinzo de Limia, o Rio Lima (designado Limia na Galiza), passando sucessivamente por Calvos de Randín, Bande, Muiños, Lobeira, Entrimo e Lobios, atravessa a Barragem do Alto Lindoso, já em Ponte da Barca, arrastando os focos de polução de consequências cancerígenas.

A Região de A Baixa Limia, na província de Ourense, com seis concelhos que fazem parte do Parque Natural Transfronteiriço Gerês/Xurés, têm prejuízos ambientais e ameaças de doenças graves, que nesse território galego ameaçam a saúde pública e a qualidade vida das populações.

Mais de vinte mil cidadãos e animais são afetados com o mau cheiro, impedindo os moradores de abrirem as janelas de casa, mas os problemas não se resumem ao fedor permanente, porque os produtos químicos como os nitratos da exploração da criação intensiva dos animais acabam frequentemente nos reservatórios de água e nas águas subterrâneas, provocando a eutrofização.

Há equipamentos coletivos que não devem ser para já usados, como as áreas fluviais do Centro Desportivo em Muiños, a Praia de Porto Quintela e as Termas Romanas, ambas em Bande, tal como as atividades de pesca lúdica que se costumam fazer ao longo de todo o ano no Rio Lima.

O Rio Lima tem 67 dos 108 quilómetros a passar por Portugal, atravessando o Parque Nacional da Peneda Gerês, mas a poluição parte de Xinzo de Limia, em Ourense, na Galiza, com dejetos de explorações de pecuárias e de aviários afetam diretamente o rio e sem qualquer tratamento.

A jusante e depois de passar pela Barragem de As Salas, é principalmente já na Barragem de As Conchas, no concelho geresiano de Lobeira, em que se acumula matéria fecal, resultante de um trabalho das explorações criando cianobactérias, toxinas e matéria orgânica saturada de nitritos.
“Tratado das Albufeiras não está a ser cumprido”

O presidente da Associação de Vizinhos de As Conchas destacou ainda que “o próprio Tratado das Albufeiras, segundo o qual os países onde nascem os rios têm a obrigação e o compromisso de garantir boa qualidade da água, não está a ser cumprido, pelo que Portugal está a ser lesado”.

Há 15 anos que os fortes focos de poluição, conhecidos pela cor verde que domina o Rio Lima e odor muito desagradável, conduziram a uma luta da Associação de Vizinhos de As Conchas, cujos rostos são o presidente, Pablo Álvarez Veloso, e a secretária, Mercedes Álvarez de León.

Pablo Álvarez Veloso lamentou “continuarmos ainda a sofrer todos permanentemente com uma quantidade muito elevada de matéria orgânica e nitratos na massa de água, designadamente de resíduos provenientes de chorumes e de dejetos das explorações intensivas de porco e de aves”.

O presidente da Associação de Vizinhos do Povoado de As Conchas, Pablo Álvarez Veloso, no final do encontro de Monterroso, em Lugo, reuniu-se com o coletivo dos seus vizinhos, já nas imediações da Barragem de As Conchas, depois do que fez o ponto da situação ao nosso jornal.

“Em Lindoso a água está extremamente contaminada, por exemplo, chega ao seu intestino com as cianobactérias e uma grande quantidade de nitratos e as pessoas até parece que não querem saber que isso acontece, podendo causar cancros, aliás, em Xinzo de Limia há o maior número de cancros da região, dadas as contaminações de nitritos nos poços”, diz Pablo Álvarez Veloso.

“Os cancros provocados por esta contaminação, criada em Xinzo de Limia, capital da Comarca de A Limia, são principalmente de quatro de tipos, os do intestino, os do cólon, os da próstata e os do estômago, enquanto alguém com pequenas feridas abertas pode morrer em dois meses”, afirma Pablo Álvarez Veloso, lamentando que “ainda se esteja nesta fase após 15 anos de luta”.

“Vamos pedir já a execução das sentenças”

Segundo a secretária da Associação de Vizinhos do Povoado de As Conchas, Mercedes Álvarez de León, “nós vivíamos num ponto maravilhoso da Galiza, junto de uma albufeira, As Conchas, que chegou a ser palco de reuniões da Comarca da Baixa Limia, mas tudo piorou radicalmente”.

“É que em poucos anos converteram uma das albufeiras mais limpas de toda a Espanha, a par de outra albufeira, este no País Basco, em zona extremamente poluída e com as consequências cancerígenas, só porque lançam as fezes do porco e de galinha diretamente para o Rio Limia”.

“Além das albufeiras de As Salas e de As Conchas, todas as porcarias asquerosas estão a chegar a Portugal, através da Barragem do Alto Lindoso, passando a contaminação para o Alto Minho, principalmente para os concelhos de Ponte da Barca, de Arcos de Valdevez, de Ponte de Lima e de Viana do Castelo”, diz a secretária da Associação de Vizinhos do Povoado de As Conchas, Mercedes Álvarez de León, revelando “haver problemas ainda em Touvedo, Ponte da Barca”.

Para a dirigente associativa galega, “aqui e também em Portugal, para onde é despejada toda a espécie de porcaria, incluindo antibióticos também lançados, que são extremamente resistentes, quem beber dessa água, está bebendo um pouco de veneno”, referindo ainda que “no concelho de Bande, aqui acima, a montante, estamos com o nível três, que é o máximo de contaminação”.

Para Mercedes Álvarez de León, “continuamos a viver, aqui em A Limia e na Baixa Limia, um problema gravíssimo de saúde, mas também em Portugal, no Alto Minho, deveria haver maior preocupação de todos os autarcas, porque o destino final do Rio Lima é em Viana do Castelo”.

Ainda segundo a secretária da Associação de Vizinhos do Povoado de As Conchas, “a situação é tão perigosa, que não é preciso beber desta água ou sequer tomar banho, basta a aproximação, para existir contaminação, pelo que vamos pedir a execução da sentença definitiva, com o fim da Junta da Galiza e da Confederação dos Rios Minho e Sil finalmente tomarem medidas e que as empresas poluentes nunca mais poluam o Rio Limia e cumpram sempre com boas práticas”.

MoLima (Movimento para a defesa do Rio Lima) também alerta

Entretanto, do lado português, o MoLima (Movimento para a defesa do Rio Lima), com sede em Ponte de Lima, tem seguido toda a situação, pronunciando-se a cada passo e sensibilizando.

Segundo aquela associação reconhecida pelas suas preocupações com o Rio Lima, “os dados científicos mais recentes sobre a Albufeira de Lindoso resultam de uma amostragem realizada a 27 de junho de 2026 pelo grupo de investigação Albiotox, da Faculdade de Veterinária da Universidade Complutense de Madrid, que estuda o embalse de As Conchas desde o ano 2011”.

“Os resultados identificaram Aphanizomenon flos-aquae em nível dominante (+++), isto é, correspondendo a um bloom acima dos limiares de alerta da Organização Mundial da Saúde, com uma presença confirmada, ainda que escassa, de Microcystis aeruginosa e Anabaena sp”.

“Foi também registada uma elevada turbidez e uma abundância extraordinária de bactérias de provável origem fecal, quase certamente de origem pecuária e a conclusão dos investigadores não deixa margem para ambiguidade: a situação do embalse é má, com probabilidade muito elevada de um importante bloom de cianobactérias tóxicas durante o verão (que temos vindo a observar) ou início do outono (havendo ainda uma possibilidade dependente, primeiramente, da pluviosidade), referiu esta segunda-feira a O MINHO o presidente do MoLima, Luís Pereira.

“Estes dados seguem-se ao alerta lançado a 10 de junho de 2026 pela Associação de Vizinhos de As Conchas, que já então documentava, com imagens microscópicas, a grande presença de cianobactérias compatíveis com os géneros Microcystis e Aphanizomenon na Albufeira de Lindoso, considerando que o grau de poluição em Lindoso é igual ou mesmo superior ao de As Conchas, sendo que visualmente, o troço do rio junto até Lindoso e até Ponte da Barca tem apresentado uma coloração esverdeada, baça e de aspeto cremoso”, ainda segundo Luís Pereira.

MoLima recorda origem da poluição

A MoLima diz que o problema de contaminação tem origem na pecuária intensiva, suiniculturas e aviculturas, na comarca galega da Limia, cujas descargas massivas de nutrientes e matéria orgânica fecal têm colocado o embalse de As Conchas, em Lobeira, Ourense, em situação de eutrofização muito grave e a água descarregada de As Conchas flui diretamente para Lindoso”.

“Em fevereiro de 2026, o Tribunal Supremo de Justiça confirmou, em Madrid, a condenação da Xunta da Galicia e da Confederação Hidrográfica do Miño-Sil por inação perante esta degradação, até ao momento, mas nada foi feito e nesse sentido temos estado em comunicação com os parceiros espanhóis (Vecinos de As Conchas) no sentido da pressão para atuarem seja aplicada também pelas entidades responsáveis portuguesas (APA e Governo) e ainda as quatro Câmaras Municipais que abrangem toda esta área (Viana do Castelo, Ponte de Lima, Arcos de Valdevez e Ponte da Barca)”, ainda segundo considera o presidente da MoLima, Luís Pereira.

“Ponte da Barca é a primeira a sentir os efeitos”

“A Águas do Norte capta e fornece água ao concelho de Ponte da Barca a partir desta albufeira e o presidente da Câmara Municipal de Ponte da Barca, Augusto Marinho, após reunião com a APA garantiu a qualidade da água tratada que chega às torneiras”, diz Luís Pereira a O MINHO.

“O MoLima sublinha que essa garantia diz respeito ao produto final tratado e não à qualidade da água bruta na albufeira, que é precisamente o que está em causa nos alertas científicos e algumas das cianotoxinas associadas às espécies detetadas, como microcistinas e saxitoxinas, colocam desafios específicos aos sistemas de tratamento convencionais”, salienta Luís Pereira.

“A presença de um bloom de cianobactérias tóxicas representa um risco direto para natação, canoagem, pesca e qualquer outro contacto com a água, incluindo por inalação, ingestão acidental ou contacto dérmico, sendo a zona de Ponte da Barca a primeira a sentir este efeito da proximidade, porém é de ressalvar que, mesmo que em quantidades menores, para já, o mesmo pode agravar-se ao longos dos outros concelhos portugueses, servindo ainda de alerta para a regulação e fiscalização que deve existir também do lado português”, afirma.

A posição do MoLima face às afirmações da APA

“A posição pública mais recente da APA, transmitida à agência noticiosa Lusa, em junho de 2026, foi a de que a monitorização não evidenciou blooms algais na albufeira de Lindoso e de que não existem, atualmente, motivos de preocupação, um argumento sustentado na ideia de que o episódio mais recente em As Conchas ficou confinado à parte superior desse embalse, a mais de 20 quilómetros da fronteira portuguesa”, explicou Luís Pereira, presidente do MoLima.

“Mas o MoLima considera esta posição incompatível com a evidência científica disponível e os dados recolhidos pelo grupo Albiotox diretamente na Albufeira de Lindoso, em Ponte da Barca, já em território português, nos dias imediatamente a seguir à declaração da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), documentam já um bloom em nível dominante, acima dos limiares de alerta da Organização Mundial de Saúda (OMS), e uma contaminação bacteriana de origem fecal em abundância extraordinária”, explicou igualmente e a propósito Luís Pereira.

“A APA tranquilizou a opinião pública com base em dados que a ciência, no mesmo período, contraria frontalmente, mas as populações e os utilizadores da albufeira merecem uma resposta pública, urgente e fundamentada nos dados mais recentes, mas esta discrepância entre a posição da APA e os dados do Albiotox reforçam, na nossa avaliação, uma necessidade de testes mais aprofundados e dirigidos para a deteção destas cianobactérias e das suas toxinas que só são identificadas através de análises específicas, distintas dos parâmetros de rotina habitualmente usados na monitorização da qualidade da água”, destaca o presidente do MoLima, Luís Pereira.

“O MoLima defende, por isso, uma revisão dos protocolos de monitorização em vigor, para se garantir que este tipo de contaminação não continue a passar despercebido”, afirma o dirigente.

MoLima já exibiu documentário em Ponte de Lima

Há já um mês, o MoLima mês exibiu o documentário “Quién Contamina a Limia?”, “uma obra que nos convida a refletir sobre os impactos da poluição no Rio Lima e na Albufeira de As Conchas, lembrando-nos da importância de proteger este património natural que partilhamos”.

“Agradecemos a todos os que marcaram a presença, participaram no debate e demonstraram o seu interesse por esta causa, porque a vossa participação reforça a importância de continuarmos a promover momentos de informação, sensibilização e diálogo, em defesa do Rio Lima”, disse.

“Um agradecimento especial aos realizadores Alfonso Cid González e Diego Freire Fernández, pela criação deste importante documentário, bem como aos nossos parceiros Asociación de Veciños de As Conchas, Junta de Freguesia de Arca e Ponte de Lima e Município de Ponte de Lima, pelo apoio e colaboração na concretização desta iniciativa”, segundo aquele movimento.

“Juntos continuaremos a trabalhar por um Rio Lima mais saudável, mais protegido e por um futuro mais sustentável”, segundo afirmou o MoLima (Movimento para a defesa do Rio Lima).

“Situação está cada vez pior”, segundo especialista

Entretanto, a situação está cada vez pior, quer do lado galego, quer do lado minhoto, segundo o professor Eduardo Costas, coordenador do Grupo Albiotox, da Faculdade de Veterinária da Universidade Complutense, sediada em Madrid, que tem monitorizado a poluição no Rio Lima.

Segundo o professor Eduardo Costas, “a situação em As Conchas é má, é a máxima, nível três numa escala de zero a três, mas a da albufeira de Lindoso está a piorar muito rapidamente, alcançando, atualmente, o nível dois”, uma “preocupação com toda a poluição no Rio Lima”.

Depois de recordar que a Albufeira do Alto Lindoso tem uma dimensão muito superior à de As Conchas, em Ourense, na Galiza, Eduardo Costas destacou que “o facto de uma albufeira, com a dimensão e a profundidade da do Alto Lindoso, apresentar uma coloração verde tão extensa é um sinal extremamente preocupante”, fazendo notar que o curso do Lima já está em Portugal.

Eduardo Costas salienta que “além disso, as purinas provenientes de porcos não tratadas geram uma enorme carga bacteriana, incluindo bactérias fecais resistentes ao calor, o que é perigoso”."

Foto: Joaquim Gomes / O MINHO

— Fonte: Joaquim Gomes - O MINHO
https://ominho.pt/poluicao-do-rio-lima-na-galiza-ja-chegou-ao-alto-minho-denunciam-ambientalistas/

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